Mulheres revelam que assédio sexual no trabalho é mais comum do que se pensa em Quixadá

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Elogios indiscretos, histórias e confidências íntimas, toques constrangedores. Apesar do silêncio das vítimas, esse tipo de perseguição no ambiente de trabalho, que pode ser caracterizado como assédio sexual, é uma situação mais comum do que se imagina em Quixadá, no Sertão Central do Estado. Pelo menos é isso o que afirmam nossas entrevistadas.

Durante os últimos dois meses, três mulheres mantiveram contato com editores do Monólitos Post e conversaram sobre a situação. Elas são amigas, mas com diferentes empregos, e afirmam sofrer assédio sexual no ambiente de trabalho.

Inicialmente, as três contataram este site para sugerir que uma matéria sobre o assunto fosse veiculada, uma vez que acreditam que muitas outras mulheres em Quixadá enfrentam o mesmo problema. Elas não revelaram os nomes dos supostos assediadores, mas garantem que reuniram provas e que denunciarão os três homens à polícia nos próximos dias.

Quisemos conhecer os caminhos do assédio, como acontece, do que os assediadores se aproveitam e como elas pretendem exigir punição para eles. O resultado sai na forma da pequena entrevista a seguir. Não temos autorização para divulgar os nomes verdadeiros das três mulheres, por isso elas serão identificadas apenas pelos números 1,2 e 3.

MONÓLITOS POST: O que exatamente vocês estão definindo como assédio sexual?

Mulher 2: No meu caso foram cantadas com conteúdo erótico, toques inapropriados em meu corpo e até tentativa de forçar beijo na boca.

Mulher 1: Comigo começou com elogios constrangedores às clientes do consultório. Quando elas saíam, ele fazia questão de dizer pra mim o que achava do corpo delas e o que faria com elas na cama. Depois houve também tentativa de toques íntimos, convites para motel e duas vezes ele até mesmo tentou me agarrar. Acho que ele só não forçou mais a barra nessa ocasião porque chegaram outras pessoas no ambiente.

Mulher 3: Eu sou casada. O homem que me assedia vive me incentivando a deixar meu marido. Ele usa palavras eróticas para falar comigo, também tenta me tocar e pelo menos uma vez me abraçou de maneira provocante. É claro que o empurrei. As cantadas são diárias, olhares inoportunos também. É uma situação constrangedora.

MONÓLITOS POST: Porque vocês não denunciaram isso antes? 

Mulher 3: É fácil falar, mas quem passa por essa situação tem mil coisas na cabeça. Não é fácil conseguir emprego em Quixadá, ainda mais do tipo que temos. Minha família precisa que eu trabalhe. Não posso ficar desempregada. No começo eu achava que isso acabaria logo. Eu sempre rejeitei as tentativas dele, mas acontece que não tem diminuído. Eu ainda tenho medo de não ser entendida pelas autoridades. Minhas provas são frágeis. Tenho medo de acabar sendo mal interpretada.

Mulher 2: Você está de brincadeira? Esta sociedade é muito machista. Você tá pensando que quando esse assunto vier a público muitas pessoas não vão achar que eu é que sou culpada? Ele é um homem respeitado, de família, tem filhos e é religioso. Acho que ninguém imagina que ele seja capaz de fazer isso.

MONÓLITOS POST: Porque vocês acham que esses homens se sentem a vontade para fazer isso?

Mulher 1: Porque eles contam com nossa impotência e fragilidade. Nos sentimos impotentes porque é difícil fazer um caso de assédio ser punido pela justiça. Depois, somos mulheres e essa sociedade é machista. Ele já me disse que se eu denunciasse os abusos dele ele jogaria a culpa em mim e que ninguém acreditaria em mim. Eu sei que isso pode mesmo acontecer e eu acabar sendo vítima de uma injustiça. Mas estamos decididas a denunciar. Você precisa entender que esses homens nos pressionam psicologicamente. Tem dias que você se sente completamente humilhada. A esposa do homem que me assedia já sabe do assunto, e ela fica do lado dele, achando que eu é que invento essas histórias. Depois tem a questão do emprego. Eles se aproveitam do nosso medo de ficar desempregadas, mas isso não acontece mais. Vamos denunciar sim.

Mulher 3: Quixadá é uma cidade onde praticamente todo mundo se conhece. Eles se aproveitam do nosso medo de ficar mal faladas. Mas já superamos isso e vamos agir.

MONÓLITOS POST: Vocês acham que mais mulheres passam por esse tipo de problema? 

Mulher 2: Não é que achamos, nós sabemos que passam. Temos certeza que sim. Conversamos sobre isso com outras colegas e elas nos contam histórias de assédio até piores que as nossas. Conversamos com uma menina que trabalhava num certo local aqui em Quixadá. O chefe dela era um homem muito respeitado, pai e esposo considerado decente e com o perfil de homem honesto e direito. Mas ele a assediou durante meses a fio. Ele a atacou fisicamente várias vezes, envolveu a família dele e dela no caso, e até a igreja que ele frequentava o expulsou de lá. Apesar disso, ela não criou coragem para denunciar o caso na justiça. Por razões particulares que eu entendo bem, a maioria das meninas que passam por isso preferem adotar o silêncio. Eu também preferia, mas não mais.




Comentários

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  1. Infelizmente, a nossa sociedade é muito machista,e terão aqueles que as julgarão,tentando repassar a culpa para as mesmas.Mas existem pessoas que são consciente de que essa prática existe sim,e absurdamente não são punidas como deveriam.Coragem a todas as mulheres que sofrem desse abuso e denunciem,sejam vocês a iniciarem no nosso município o movimento:”a baixo o assedio sexual contra as mulheres” Os culpados devem sofrer as consequências e devem ter os nomes divulgados SIM…Eles é quem devem sentir medo de vocês,não o contrário.

  2. Seria interessante, que fossem divulgados os nomes dos tais nas redes sociais …. E uma ação louvável por parte das vitimas.

  3. A matéria é complexa, os assédios sexuais sempre existiram. E desde já parabenizo a todas essas senhoras, em ter coragem de denunciar tais atrocidade, realizadas por estes elementos. O que nos chama a atenção é,
    segundo as denunciantes, um homem Evangélico, que se diz ser representante do Senhor, e que foi expulso da Igreja a qual pertencia. Falta de pudor, ética….. Vale salientar e não generalizando as demais denominações, temos certeza de que, existem homens compromissados na obra de DEUS em igrejas Evangélicas em Quixadá…… Lamentável, seria interessante ainda que divulgassem os nomes dos tais…. e destribuissem nas redes sóciais..

  4. As mulheres, em sua maioria, excetuando-se as periguetes, são vítimas de assédio sexual. Agora, é preciso que se diga também, que existe muito assédio moral, na maioria das empresas e também em órgãos públicos, só que uma certa forma disfarçada, dissimulada. Muitas pessoas que praticam o assédio moral, também quando ainda não investidos em cargos de chefia também sofriam, mas muitos se esquecem disso e passam de vítimas a opressor. Esse é o grande mau da maioria das empresas e dos órgãos públicos no Brasil. Nesse país parece que praticar o que não é bom se transforma em prazer para muitos. As pessoas em grande parte vê um funcionário público como um profissional que não trabalha, que é preguiçoso, mas devem verificar que a maioria também sofre por não ter muito de seus direitos não reconhecidos….

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