O desejo de acreditar orienta as escolhas de muita gente. Mesmo quando o alvo da crença não se mostra mais digno dela ou quando a própria crença, finalmente, revela-se não razoável e, por vários motivos e de muitas formas, indigna de crédito, o desejo de acreditar, a subserviência a este desejo, o sentimento de ser parte de algo maior em virtude da associação a tal crença, move muitas pessoas a permanecerem ligadas e a defenderem o que, de todos os modos e para a grande maioria, já se mostrou indefensável.
Mas tudo tem limites, mesmo para quem deseja ardentemente acreditar. Afinal, o desejo de acreditar, por influência de sentimentos maiores e mais nobres ou, claro, por influência de uma grande decepção, pode simplesmente acabar. Este é um dos maiores problemas que o PT enfrenta ao longo de todas as fases da Operação Lava Jato.
Uma grande decepção?
Lula e, por que não dizer, Dilma, foram colocados na presidência, em parte, pela crença da maioria dos brasileiros de que o PT e seus dirigentes representavam a esperança de que a política no Brasil, finalmente, poderia assumir contornos mais transparentes e honestos, afastando gradualmente a sombra da corrupção, pela qual o país ganhou fama mundial. Visto como pessoas mais ligadas à defesa das principais demandas de quem mais sofre, os pobres, os líderes do PT conseguiram ascender aos postos mais altos da república. ´
Com os persistentes escândalos de corrupção associados ao governo do PT, porém, a crença no partido foi cedendo lugar ao desejo de acreditar. Isto se deu destacadamente depois das revelações do Mensalão. Lula disse que foi traído por companheiros, assumiu que o partido havia errado e conseguiu redimir a própria imagem perante os brasileiros, garantindo sua reeleição e conseguindo emplacar Dilma Rousseff no cargo. Os brasileiros mantiveram vivo o desejo de acreditar em Lula, em Dilma e no PT. Os resultados das eleições estão aí para provar isto. Mas, como dito acima, até este desejo ardente de acreditar tem limites.
A delação de Delcídio
A delação premiada do Senador Delcídio do Amaral (PT) à Polícia Federal, conforme revelada pela revista ISTOÉ, é simplesmente impressionante.
Delcídio acusa Lula e Dilma, segundo a revista, de não apenas conhecerem toda a sujeira relacionada aos mais odiosos esquemas de corrupção dentro de seus governos, mas também explica que Lula e Dilma agiram, usando seus privilégios presidenciais, dados em confiança pelo povo, em benefício destes esquemas, principalmente dos relacionados à Petrobras. Lula teria sido o mandante de pagamentos feitos em troca do silencio e da colaboração de investigados e Dilma teria trocado cargos no judiciário por livramento de executivos acusados na Lava Jato. Coisa triste. O fundo do poço.
Obviamente, não é porque Delcídio fez tais acusações que elas devem, agora, ser tidas como verdades. O próprio senador afirmou, na tarde desta quinta-feira, 03, que não confirma o conteúdo publicado pela revista ISTOÉ. Mas também não contesta o que foi publicado. Se ele tiver mesmo feito a delação, não se posicionar publicamente sobre ela é procedimento esperado.
É óbvio que primeiro a deleção deverá ser investigada e, em seguida, reunidas as provas, seguir-se as denúncias apropriadas. Até lá, a presunção de inocência é direito das duas principais figuras da delação, Lula e Dilma, e o desejo de acreditar da maioria dos petistas ainda deve exercer alguma influência.
Reavaliação do desejo de acreditar
O PT, como quase todo grupo de pessoas, conta também com gente decente, com pessoas comprometidas com o que é direito. Elas talvez sofram com tais revelações. Desejam acreditar no melhor. Mas, exatamente por serem decentes, estão reavaliando suas crenças ante o avanço das operações de investigação. E se mais à frente o martelo da justiça for batido em tom de condenação, este será, definitivamente, o limite para qualquer crença do tipo, e o partido poderá vir a ser visto por estas pessoas que ainda lhe dão algum crédito, não por aquilo que um dia aspirou ser, mas pelo que se tornou quando chegou ao poder.
Realmente, sendo confirmadas as alegações do Senador Delcídio do Amaral, só mesmo uma paixão cega, descompromissada com qualquer resquício do que é direito, ético e justo, permitirá alguém empenhar-se na defesa política daqueles por ele denunciados. De fato, se esta delação for confirmada e se as condenações se seguirem na justiça, Dilma e Lula não apenas poderão – com propriedade -, ser classificados como bandidos, mas também haverão de carregar o estigma de traidores dos bons petistas e, claro, traidores do Brasil.
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