Existe uma forma burra e imatura de lidar com a vitória. Sim, com a vitória. Lidar com ela também exige habilidade. Aliás, exige muito mais habilidade para se lidar com a vitória do que com a derrota. Embora a dor da derrota seja, geralmente, maior que a alegria da vitória, esta última sem dúvida demanda mais esforço.
Dos discursos burros e imaturos que podem ser adotados por quem sai de uma campanha eleitoral com a vitória, está aquele que define e reduz as críticas posteriores à mero “mimimi” ou “chororô”, como se costuma dizer. A adoção desta maneira boba de ver as coisas impede os vitoriosos de enxergar situações óbvias, de ver as coisas de um ângulo diferente, às vezes mais amplo, da situação.
Verdade seja dita, assim como ganhar a eleição traz para os vitoriosos, naturalmente, a lida com as demandas para as quais afirmaram ter soluções, a derrota coloca os derrotados, também naturalmente, na posição de reclamar as promessas feitas e cobrar, até de forma mais incisiva, a atuação dos vitoriosos. Tudo normal. Tudo aceitável e esperado. Assim como é idiota achar que a vitória não traz a responsabilidade do fazer, é idiota achar que perder não traz a responsabilidade do cobrar.
É tolo, então, qualificar as reclamações e cobranças dos derrotados como “mimimi” e “chororô”. Isso aí é comportamento de quem lida com as eleições, não como um processo importante da expressão de vontades em ambiente democrático, mas como torcida organizada, daquelas movidas por paixão, sem a ponderação racional que os resultados das urnas exigem.
Além disto, o uso do insulto e da provocação para lidar com as legítimas reclamações e cobranças dos derrotados revela incapacidade de respeitar estes últimos como parte integrante da sociedade, com direitos e aspirações, como parte do todo pelo qual agora os vitoriosos são responsáveis.
Em resumo, é isto: Ganhou a eleição? Faça o que prometeu e aguente a cobrança! Isto é democracia! E é saudável! O “mi mi mi” mesmo é querer que, por causa da vitória, todo o resto do mundo fique calado.
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