Vivemos momentos difíceis na Saúde, sobretudo, com o medo causado pela pandemia do coronavírus, que tem assustado todo o mundo. Após o surgimento do COVID-19, dois fatos ocorridos e que envolve os quixadaenses chamaram a minha atenção: A Prefeitura Municipal de Quixadá informar que o prefeito, Ilário Marques (PT), irá anunciar um plano de contingência para combater a doença que já matou milhares de pessoa e ao mesmo tempo, contraditoriamente, não ter uma ambulância para transportar uma criança de uma cidade para outra. Estranho, não é? O município pode combater uma doença de nível mundial, mas não tem um veículo para o traslado de um paciente de uma cidade para outra, algo que deve ser considerado o mínimo para o maior município da região e que tem quase 100 mil habitantes.
É necessário, antes de continuar a escrever, esclarecer que eu moro em Quixadá, tenho filhos aqui e longe de mim, em um possível surto da doença, torcer contra essa amada terra. Digo isso, porque daqui a pouco, conhecendo os aliados do alcaide, como todos quixadaenses sabem, é provável que irão tentar explorar esse artigo usando como “pano de fundo” o vitimismo, ai espero que eles lembrem que estamos todos no mesmo “barco, habitando a mesma cidade e pela rapidez que a doença chegou no país, infectados ou não, seremos todos nós vítimas dela.
Continuando, fico imaginando: Quem em sã consciência vai acreditar na história de que Quixadá, que não tem uma ambulância especial, está preparado para combater uma doença que até países de primeiro mundo sentem dificuldades em combatê-la? A própria Secretaria de Saúde do município deixa isso claro ao dizer que não tem o veículo para transportar o jovem Gabriel, portador de Atrofia Muscular Espinhal e que estava internado em Fortaleza, ficando horas esperando uma ambulância que pudesse o trazer em segurança para casa, na Terra dos Monólitos.
A mãe do jovem precisou gravar um vídeo, publicado nas redes sociais, para tentar comover as autoridades e, assim, conseguir o transporte para o garoto. Por não ter o veículo, a Prefeitura de Quixadá jogou toda a responsabilidade para o Serviço Médico de Urgência (Samu), que não é, a priori, a instituição responsável por este tipo de traslado. Ai, a Prefeitura, além de não ter a ambulância, ainda quis jogar a culpa pelo descaso com o jovem Gabriel para quem vive de salvar vidas. Achar um culpado sempre é fácil, solucionar o problema que é bom, nada. Dias nefastos!
Já que a Prefeitura de Quixadá usa como desculpa, por não conseguir trazer o garoto de Fortaleza a Quixadá, o fato do veículo ser especial e não tê-lo, vou lembrar de um outro que aconteceu recentemente. Em janeiro deste ano, a jovem Anne Gabriela, moradora do bairro Campo Novo, que veio a falecer após sofrer com uma meningite, precisava de uma ambulância para transportá-la, dois dias antes de sua morte, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no bairro Renascer, até a policlínica, na própria cidade, mas a gestão não disponibilizou o veículo para a paciente. Ai, a quem os familiares recorreram e foram atendidos? Ao Samu. Neste caso, a administração ficou bem caladinha, nada de agradecimento aos profissionais da instituição, que deveria ser vista como parceira e não sofrer críticas quando não podem ajudar ao município em um serviço que deveria ser ofertado pela municipalidade.
Além da falta de ambulância, a Saúde de Quixadá tem sofrido com a precariedade dos serviços ofertados. As reclamações de quem precisa do sistema público, no município, são constantes. Diversos são os problemas na área. Por exemplo, para um município de quase 100 mil habitantes, as equipes de Saúde da Família (PSF), não dão conta do trabalho. O hospital Eudásio Barroso não tem mais estrutura para o atendimento da população local e, muitas vezes, graças ao compromisso de seus profissionais, atende pacientes de outros municípios.
Com todo este histórico, fica difícil acreditar que a Prefeitura Municipal, em um possível surto do coronavírus, em Quixadá, conseguirá atender e conter casos do COVID-19. Algumas perguntas precisam ser respondidas: Qual é o plano do governo municipal para distribuir, por exemplo, álcool em gel para à população? Em situações de casos confirmados da doença, onde os pacientes serão internados? Como será o tratamento em um sistema que sente dificuldade em tratar até casos de dengue? Sair comunicando que tem um plano para uma doença de nível mundial, sofrendo até com a falta de insumos básicos, chega a ser irresponsável, mera vontade de passar uma informação no mínimo duvidosa para pacientes e familiares de pessoas que perderam seus entes por falta de um diagnóstico preciso ou de uma estrutura condizente com a realidade vivida por quem precisa do serviço público. Ao que parece, a gestão quis apenas anunciar algo que não se tem, uma forma de tentar manter a falsa impressão de que está tudo bem na Saúde do município? E esta impressão é algo sentido apenas por quem consegue achar que estamos em um patamar “padrão Unimed”. A Prefeitura precisa reavaliar suas ações de “falso” marketing, pois nesta pandemia que pegou todo o mundo de surpresa, a gestão local deveria agir com seriedade, sobriedade e competência, três coisas que está em falta na atual administração petista quixadaense. Lamentável!
Por Franzé Cavalcante – Jornalista
E-mail: monolitosquixada@gmail.com




