Ex-prefeito de Quixadá deixou servidores com salários atrasados mas pagou quase R$ 3 milhões a empresários no final da gestão

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Duas histórias, dois Quixadás: numa ponta, professores, profissionais da saúde e demais funcionários da prefeitura que ficaram sem pagamento no mês de dezembro por parte do ex-prefeito, Ilário Marques (PT). A resposta para este desrespeito com o funcionalismo público está na outra ponta: dados do Portal da Transparência mostram que, enquanto deixou de priorizar o quadro de pessoal, nas últimas duas semanas enquanto esteve prefeito, Ilário autorizou o pagamento de quase R$ 3 milhões para empresas.

Os dados disponíveis mostram que somente entre os dias 20 e 31 de dezembro Marques autorizou o pagamento a alguns empresários ou prestadores de serviço. Somados, essas empresas teriam recebido da prefeitura um total de R$ 2.113.289,89 somente no intervalo de 12 dias.

Ao serem analisados detalhadamente, os extratos bancários evidenciam situações que levantam suspeita. Os dois maiores repasses no período foram para uma empresa de locação de material para construções e uma construtora. As duas empresas, juntas, receberam quase R$ 700 mil. Curioso é que nenhum dos valores estavam empenhados, ou seja, não havia sequer saldo previsto para gastos.

As movimentações bancárias na conta de empresários e prestadores de serviço evidenciam a disparidade no conceito de importância por parte do ex-prefeito petista, e deixa claro que os empresários e aqueles que forneciam serviços para sua gestão, estavam em primeiro lugar na escala de prioridades, a frente até mesmo dos trabalhadores da prefeitura.

Essa tese pode ser encontrada na fala de grupos pró-Ilário. Tentando montar argumentos de modo a transferir responsabilidade para o atual gestor e levantar uma onda de revolta por parte de servidores contra Ricardo Silveira, o grupo prega que Ilário pagava parte dos salários ainda dentro do mês ou nos primeiros dias do mês seguinte. Por essa lógica, Ilário poderia não utilizar os repasses e deixá-los reservados para pagar a folha de pessoal, mas não: como não estaria mais na prefeitura a partir de janeiro de 2021, ele utilizou todos os repasses de dezembro e priorizou nos últimos 12 dias do mês, os empresários sem deixar caixa suficiente para os funcionários.

Na teoria, Ilário tem afirmado que seria possível, sim, fazer os pagamentos aos funcionários. Mas na prática, os dados do balanço contábil que ainda está sendo fechado, mostram que o ex-prefeito investiu quase R$ 3 milhões para pagar serviços e ainda deixou um débito de quase R$ 11 milhões com a folha de pagamento. Ou seja: para o povo, débito. Para os empresários, crédito.

O Sindicato dos Servidores Públicos de Quixadá tem se comportado nos últimos dias como um detalhe à parte dessa história. Sem condições de arcar com a responsabilidade que seria do ex-gestor, a Prefeitura teria proposto uma forma de parcelamento dos pagamentos. Neiva Esteves, presidente do Sindicato, chegou a afirmar que a categoria poderia fazer greve. Mas em áudios que circularam nas redes sociais no fim de dezembro, a sindicalista surgia com tom complacente e paciente, ao ouvir a resposta dos funcionários da gestão de Ilário, que nada poderia ser feito quanto ao pagamento dos servidores.

Ouça abaixo os áudios da Presidente do Sindicato em Dezembro de 2020.




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