A nova realidade no quadro de contaminados provocada pela segunda onda de casos de Covid-19, já é uma realidade na região do Sertão Central. De acordo com dados do Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), 30% dos pacientes internados em leitos de Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) por complicações do coronavírus, possuem menos de 40 anos e além disso o tempo de internação é consideravelmente entre esses pacientes do que entre aqueles que estiveram internados cerca de um ano antes.
Os números foram apresentados pelo médico do HRSC, Dr. Cristiano Rabelo durante uma live com prefeitos do Sertão Central na última sexta-feira (26). O prefeito de Quixadá, Ricardo Silveira, propôs o encontro para discutir meios coletivos de combate a pandemia que pudessem ser colocados em prática através dos decretos municipais de cada cidade. O encontro ocorreu entre os gestores das cidades que formam o Consórcio Público de Saúde da região. Sete dos dez prefeitos participaram.
“Dos pacientes que nós temos aqui até hoje internados em nossos 40 leitos de UTI (referindo-se a sexta-feira passada), 30% deles possuem menos de 40 anos. Se eu for considerar a idade de 50 anos, eu tenho um quadro de 50% dos pacientes com idade menor do que isso. Então, é um dado que mostra essa nova cara, essa nova realidade da pandemia na região”, afirmou o médico.
Cristiano Rabelo detalhou que nos meses de setembro, outubro e novembro as taxas de internações nos leitos de UTI diminuíram, mas voltaram a aumentar. Além disso, outro aspecto já percebido é que a taxa de permanência dos pacientes internados, também subiu. Isso significa que além dos pacientes serem mais jovens do que o perfil de casos diagnosticados no primeiro pico da pandemia, o período de internação na UTI é de mais dias do que antes. O médico ainda disse que, até a última sexta-feira (29), 50 pacientes que tinham dado entrada na Unidade, estavam com ventilação mecânica.
Os dados levantam um alerta: o diagnóstico dos médicos e especialistas sobre os aspectos das internações e das vítimas nesta nova onda de casos, não se restringe apenas aos hospitais da região Sul do Brasil: eles já desenham a nova realidade da pandemia em nossa região. Ou seja: as vítimas são mais jovens e o tempo de recuperação na UTI entre esses pacientes tem sido maior, o que causa preocupação tendo em vista a chance de não reversão de quadros clínicos graves.
“Não adianta estar apenas criando leitos. Se a população não seguir as recomendações, a quantidade de leitos não vai conseguir alcançar a necessidade dos nossos pacientes”, alertou o Dr. Cristiano Rabelo. Ricardo Silveira endossou a análise e frisou a necessidade dos prefeitos estarem juntos na luta nesta nova fase da pandemia. “Essa reunião é importante para que todos nós, possamos considerar o cenário de nossa cidade, e decidir juntos por medidas iguais para todos”.
Nesta segunda-feira (1º) o prefeito de Quixadá participa de uma transmissão ao vivo pelas redes sociais da prefeitura de Quixadá para detalhar os principais pontos do novo decreto municipal que entra em vigor nesta terça-feira (2). O documento trará os pontos que foram discutidos e deliberados durante a reunião com os prefeitos da região.

