Estudantes do IFCE desenvolvem dispositivo de baixo custo para denunciar violência contra a mulher

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Três estudantes do campus de Limoeiro do Norte do Instituto Federal do Ceará (IFCE) desenvolveram um dispositivo eletrônico de baixo custo voltado ao enfrentamento da violência contra a mulher. A tecnologia foi pensada para permitir que vítimas acionem pedidos de ajuda de forma discreta e segura, reduzindo obstáculos que muitas vezes dificultam a denúncia.

O projeto é assinado pelas estudantes do ensino médio integrado Kauana Chaves, Sabrina Andrade e Ingrid Sobreira, sob orientação do professor Holanda Júnior. A iniciativa surgiu em 2023, após as alunas observarem que o aumento dos casos de violência contra mulheres no país não era acompanhado pelo crescimento de denúncias. Para elas, muitas vítimas encontram dificuldades para acessar os canais formais de denúncia ou temem represálias, especialmente em situações de violência doméstica.

O sistema desenvolvido pelas estudantes é composto por dois elementos: um centro de controle fixo e um dispositivo portátil semelhante a um chaveiro, que pode ser carregado pela vítima. A comunicação utiliza sinais infravermelhos, permitindo o acionamento do alerta sem necessidade de contato físico direto ou uso ostensivo de celular.

O grupo também desenvolveu dois aplicativos em fase de teste. Um deles, acionado pelo celular, envia automaticamente a localização da vítima, um áudio de dez segundos e uma mensagem de socorro para contatos previamente cadastrados. O outro é instalado em computador e utiliza visão por câmera para reconhecer um gesto feito com a mão. Ao identificar o sinal, o programa envia mensagens de alerta, registra imagens em vídeo no formato time lapse e transmite a localização da vítima.

O protótipo utiliza uma placa eletrônica de baixo custo, com baixo consumo de energia e conectividade integrada via Wi-Fi e Bluetooth, o que facilita a comunicação com sistemas de monitoramento e órgãos responsáveis.

Tecnologia acessível

Um dos principais desafios do projeto foi conciliar eficiência tecnológica com acessibilidade financeira. Durante o desenvolvimento, as estudantes optaram por utilizar componentes mais simples para garantir que o dispositivo possa ser reproduzido em larga escala. “Não queríamos que fosse algo exclusivo para pessoas de classe alta. O foco sempre foi alcançar o máximo de mulheres possível”, afirma Ingrid Sobreira.

A proposta também prevê adaptações para diferentes realidades. Em áreas urbanas, o sistema pode ser integrado a estruturas de monitoramento já existentes. Em regiões rurais, a ideia é trabalhar com soluções simples e de baixo custo em parceria com órgãos públicos locais. Após a fase de protótipo apresentada em eventos científicos, o projeto deve avançar com a incorporação de técnicas de visão computacional e tecnologias de comunicação sem fio de longo alcance com baixo consumo de energia.

Os próximos testes devem envolver tanto a comunidade acadêmica quanto a sociedade, com diálogo com órgãos de segurança pública. A expectativa das pesquisadoras é que, futuramente, o dispositivo possa ser distribuído por delegacias da mulher, postos de saúde e outros equipamentos públicos, por meio de parcerias institucionais e investimento governamental.




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