Cearense filho de agricultores da zona rural é aprovado em sete universidades após trajetória na educação pública

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A rotina de estudos de Sandro Alves de Oliveira, de 18 anos, sempre exigiu mais esforço do que o habitual. Morador da zona rural de Quixelô, no Centro-Sul do Ceará, o filho de agricultores cresceu em uma família em que poucos tiveram acesso à educação formal. Ainda assim, foi justamente na escola pública que ele construiu uma trajetória acadêmica que agora o leva a um novo capítulo: a aprovação em sete universidades brasileiras.

Egresso do curso Técnico em Informática integrado ao Ensino Médio do campus de Iguatu do Instituto Federal do Ceará (IFCE), Sandro conquistou vagas em instituições federais, estaduais e privadas, incluindo a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Universidade Federal de Sergipe (UFS), a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Universidade Estadual do Ceará (UECE) e a Universidade Estadual Paulista (UNESP). Antes disso, em 2025, ele já havia sido aprovado no curso de Direito da Universidade Regional do Cariri (URCA).

Nascido em Iguatu e criado na zona rural de Quixelô, Sandro conta que crescer em uma cidade sem universidade moldou sua visão sobre o valor da educação. “Quixelô tem muitos estudantes resilientes. Como não há universidade, muitos precisam enfrentar desafios ainda maiores para continuar estudando, como se deslocar para outras cidades”, afirma.

Durante o ensino médio no IFCE, o estudante enfrentou uma rotina intensa. Para frequentar as aulas, ele passava quase quatro horas por dia em deslocamento entre casa e o campus. O tempo limitado obrigava a aproveitar cada intervalo possível para estudar. “Eu estudava na fila do almoço, nos pequenos intervalos e no ônibus. Às vezes chegava em casa muito cansado, então compensava nos fins de semana e feriados”, relembra.

Sandro afirma que o caminho até as conquistas acadêmicas começou com desafios. Durante o ensino fundamental, ele enfrentou lacunas na formação, resultado das limitações estruturais de muitas escolas públicas do interior. Ainda assim, diz ter adquirido aprendizados fundamentais. “Aprendi também pilares essenciais para a formação humana, como compreender as diversidades e desenvolver consciência de classe”, afirma.

A virada aconteceu no ensino médio, quando ingressou no IFCE. “Ter estudado no IF foi muito importante. Eu voltei a sonhar”, conta. Foi nesse período que passou a participar de olimpíadas científicas e a se dedicar intensamente aos estudos.

Para o professor de Química Mariano Oliveira, que acompanhou o estudante ao longo da preparação, o desempenho reflete dedicação e perseverança. “Com esforço contínuo, Sandro alcançou um nível de excelência, refletido nos resultados obtidos nas olimpíadas do conhecimento”, afirma. Entre as conquistas mais recentes estão medalhas de ouro em olimpíadas de Química, incluindo a Olimpíada Cearense de Química e a Olimpíada Norte/Nordeste de Química (ONNeQ), além de medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Geografia (OBG), medalha de prata na Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) e medalhas em competições de Matemática e Ciências.




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