Dois anos sem Dom Adélio Tomasin: um legado que permanece vivo em Quixadá

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Há dois anos, Quixadá se despedia de um dos personagens que mais marcaram a história recente do município. Dom Adélio Giuseppe Tomasin morreu em 30 de setembro de 2024, aos 94 anos, deixando uma trajetória marcada pela fé, pelo trabalho social, pela educação, pela saúde e por grandes obras que transformaram a realidade de Quixadá e de todo o Sertão Central.

Nascido em Montegaldella, na província italiana de Vicenza, em 27 de abril de 1930, Dom Adélio chegou ao Brasil ainda jovem e construiu uma trajetória religiosa e social que o levaria, em 1988, a ser nomeado pelo Papa João Paulo II como segundo bispo da Diocese de Quixadá. Ordenado bispo em março daquele ano, tomou posse na Diocese em maio e permaneceu à frente da Igreja local até 2007, quando sua renúncia, apresentada ao completar 75 anos, foi aceita pelo Papa Bento XVI.

Durante quase duas décadas de episcopado, Dom Adélio imprimiu uma visão de desenvolvimento que ultrapassava os limites da atuação religiosa. A própria Diocese de Quixadá registra que seu trabalho esteve marcado pelo amor à comunidade, pelo desejo de evangelização e por uma forte atuação no campo social, com iniciativas voltadas especialmente às pessoas mais pobres e necessitadas. Seus projetos também contribuíram para a geração de empregos e para a movimentação da economia local.

Um legado que atravessa gerações

Entre as obras mais emblemáticas associadas a Dom Adélio está o Santuário Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, construído no alto de uma das paisagens mais conhecidas de Quixadá. O espaço tornou-se um importante centro de peregrinação religiosa do Ceará, recebendo visitantes e romeiros de diferentes regiões ao longo do ano.

Na área da saúde, seu nome está diretamente ligado ao Hospital Maternidade Jesus, Maria e José, instituição que se tornou referência de atendimento para a população de Quixadá e municípios da região. A instituição também foi o local onde Dom Adélio recebeu cuidados médicos nos últimos dias de sua vida.

Na educação, sua atuação deixou uma das marcas mais profundas. Dom Adélio foi idealizador e fundador da Faculdade Católica Rainha do Sertão, hoje UniCatólica, contribuindo para ampliar o acesso ao ensino superior e para a formação de profissionais no Sertão Central. Também esteve à frente da criação de outras iniciativas educacionais, incluindo a Faculdade Dom Adélio Tomasin (FADAT), que leva seu nome e mantém vivo seu projeto de educação no município.

A atuação de Dom Adélio também alcançou a comunicação e a assistência social. Entre as iniciativas associadas ao seu trabalho estão a Rádio Cultura de Quixadá, a Creche Rainha da Paz, o Remanso da Paz – Casa de Acolhida São João Calábria, voltado ao acolhimento de idosos, e projetos de assistência a pessoas em situação de vulnerabilidade. Fontes locais também destacam sua atuação na Comunidade Novos Horizontes, voltada ao acolhimento e recuperação de pessoas com dependência química.

Outro marco de seu episcopado foi o fortalecimento da estrutura da própria Diocese. Segundo a Diocese de Quixadá, durante seu governo foram criadas nove novas paróquias, em um período de crescimento das vocações e do número de sacerdotes, além da consolidação do Seminário Maior Diocesano.

Um italiano que fez de Quixadá sua casa

Embora tenha nascido na Itália, Dom Adélio construiu em Quixadá uma história profundamente ligada à população local. Seu trabalho fez com que sua atuação ultrapassasse os limites da Igreja e alcançasse diferentes áreas da vida social do município.

A Diocese registra que, com suas iniciativas, Dom Adélio contribuiu para transformar não apenas a realidade eclesial, mas também aspectos econômicos e educacionais de Quixadá e de toda a região.

Sua morte, em 30 de setembro de 2024, provocou manifestações de pesar de instituições religiosas e autoridades. A CNBB destacou seu compromisso com a fé, a justiça, a solidariedade e sua atuação no campo social. Já a Diocese de Quixadá o definiu como um pastor dedicado, marcado pelo cuidado com o povo e pelo serviço à Igreja.

Em Quixadá, dois anos depois de sua partida, o nome de Dom Adélio permanece presente nas instituições, nos espaços que ajudou a construir e, principalmente, nas histórias das pessoas alcançadas por suas iniciativas.

Seu legado está nas salas de aula, nos atendimentos de saúde, no acolhimento aos idosos, na assistência social, na formação de novos profissionais, na fé dos peregrinos que sobem ao Santuário da Rainha do Sertão e na memória de uma cidade que acompanhou de perto sua missão.

Dois anos depois, Dom Adélio Tomasin continua fazendo parte da história de Quixadá. Um legado construído ao longo de décadas e que permanece vivo através das obras, das instituições e das vidas que foram transformadas por sua passagem pelo município.




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