Embaixador Extraordinário Plenipotenciário. Esse é o título oficial mais alto dentro da área de diplomacia. Um embaixador tem como funções negociar, informar e representar seu país em relações internacionais, que abordam assuntos como guerra e paz, economia, comércio e cultura. As cearenses Jackeline Félix e Nathalia Santiago irão desempenhar essas atividades em janeiro de 2015. Elas foram selecionadas para participar do programa Jovens Embaixadores e passarão três semanas nos Estados Unidos.
O Programa, criado em 2002, beneficia alunos brasileiros da rede pública, que se destacam por rendimento acadêmico, consciência cidadã, atitude positiva, senso de liderança e fluência na língua inglesa. O processo de seleção consiste em uma prova escrita e uma oral em inglês, entrevistas e uma visita da comissão organizadora à casa dos candidatos. Para participar, também é preciso ter entre 15 e 18 anos, jamais ter ido aos Estados Unidos, possuir boa relação com a família, na escola e na comunidade em que vive e estar engajado em atividades voluntárias, por pelo menos 12 meses.
Jackeline é de Juazeiro do Norte e tem 17 anos. Apaixonada por inglês, é monitora da disciplina na escola em que estuda e atua também no laboratório de Química. Realiza dois trabalhos voluntários com crianças e em asilos de comunidades diferentes. Quando terminar o Ensino Médio, pretende cursar Licenciatura em Música ou Letras/Inglês, na Universidade Federal do Ceará (UFC), herança da mãe que também é professora da língua estrangeira.
Sem esperar que fosse ser convocada, a jovem conta que foi pega de surpresa. “Eu não esperava ser convocada assim, logo de cara, justo na minha primeira tentativa”. Mesmo assim, não esconde a empolgação de poder vivenciar a cultura americana e representar o País. “É emocionante essa coisa de levar o nome do Brasil para fora, de mostrar como nós somos, de contar nossa história. Quero muito também aprender sobre a cultura americana e o verdadeiro papel de um jovem embaixador”, explica.
Nathalia, de 18 anos, porém, é veterana no processo de seleção do Jovens Embaixadores. Em 2014, foi sua terceira tentativa de participar do programa. A menina, que mora no bairro José Walter, em Fortaleza, participa do grêmio estudantil da escola que estuda, é monitora de Física, professora do projeto Mediação Escolar, na Universidade de Fortaleza e faz um curso de Administração no período da noite.
No projeto há quatro anos, Nathalia trabalha com a mediação de conflitos entre alunos. “O conflito não é uma coisa ruim. As pessoas pensam sempre de forma negativa, mas a verdade é que o conflito é uma oportunidade de mudança”. Para o vestibular, a jovem está em dúvida entre os cursos de Direito e Engenharia de Produção.
Sobre o Programa, ela conta que tudo ainda parece surreal. “Você sonha com aquilo, se sacrifica, abre mão de outras oportunidades para participar disso e quando recebe a notícia que foi aprovada causa uma sensação que não tem como descrever. Se eu consegui, todo mundo consegue”. Para Nathalia, ser Jovem Embaixadora é mais do que representar o Brasil. Significa ser uma ponte entre duas realidades. “Sei que vou aprender muito sobre a cultura americana, mas quero levar o nome do Ceará e mostrar como o povo cearense é marcado pela solidariedade”, explica.
Durante a primeira semana nos EUA, os jovens embaixadores permanecerão em Washington, na capital do país. Irão conhecer os principais pontos turísticos, participar de reuniões em instituições de setores públicos e privados, visitar escolas e projetos sociais e participar de oficinas de liderança e empreendedorismo. Nas duas semanas seguintes, os 50 jovens serão divididos e enviados a outras cidades, onde ficarão hospedados em casas de famílias americanas. Nas comunidades-anfitriãs, irão participar de projetos sociais e culturais e farão apresentações sobre o Brasil.
*Fonte: Tribuna do Ceará

