Na manhã de ontem, quinta-feira, 20, fui acompanhar de perto o desenrolar da sessão na Câmara Municipal de Quixadá. Meu interesse era, principalmente, registrar a votação de um projeto de lei que tem como objetivo atualizar para cima – de pouco mais de R$ 14 mil para quase R$ 20 mil -, o salário do próximo prefeito do município, assunto sobre o qual eu já havia escrito aqui no Monólitos Post. O que vi, porém, em vez de uma serena votação, foi um show espetaculoso de argumentos falaciosos, truculência, arrogância e péssima oratória, oferecido pelo presidente daquela casa, vereador Augusto Cesar, o Duda.
Dias antes, eu havia publicado na página deste site no Facebook um vídeo gravado em minha casa, no qual comentei que o vereador citado acima havia feito um gesto de “incoerência brutal” ao assentir sobre o projeto de aumentar os salários dos gestores municipais, mesmo tendo, minutos antes, alertado para o fato de que a prefeitura não tem dinheiro sequer para cuidar bem da iluminação pública.
Ao que parece, Duda não gostou muito das observações que fiz e, talvez por este motivo, tenha resolvido tentar crescer a voz e avançar para cima deste “blogueiro de meia tigela”, mesmo não dizendo meu nome, mas apenas citando o vídeo que gravei, as matérias que escrevi e o veículo de comunicação no qual trabalho.
Bem, senhor vereador, tenho algo para lhe dizer: aí, no plenário onde sua truculência e arrogância podem assustar um ou dois, e onde seus argumentos falaciosos podem convencer três ou quatro, o senhor fala o que quiser e, não raro, talvez encontre cinco ou seis de seus colegas dispostos a concordar com seu discurso, geralmente apresentado através de uma péssima oratória. Aqui fora, porém, o senhor precisa entender que é um homem igual a todos os outros. Deve comer feijão, tomar água e evacuar, depois, os seus dejetos. O senhor é passível sim de crítica. Ou melhor: como homem público no ramo da política, o senhor é passível de fiscalização e cobrança popular, duas coisas das quais “bestas” como eu – como o senhor insinuou -, às vezes são a ferramenta para melhor concretizá-las.
Disse, em sua longa fala, que não tomei o devido cuidado de checar as informações sobre o projeto antes de veiculá-las, e até me qualificou como “deselegante” por ter fotografado a cópia do projeto e, depois, disponibilizado o conteúdo publicamente. Engano seu, senhor parlamentar. A fotografia do projeto foi feita exatamente para mostrar a veracidade do que estava sendo publicado. Não houve deselegância alguma, uma vez que o documento é público, de interesse do povo e merecedor de ampla divulgação. Aliás, ele não é de sua propriedade para eu ter que pedi-lo. Quanto à identidade da fonte que o repassou à mim com antecedência, isto não é da sua conta.
Em nenhum momento a veiculação da informação sobre o projeto foi feita sob os moldes da “fofoca”, como o senhor insinuou. Ao contrário, a existência do projeto foi checada várias vezes com mais de uma pessoa, uma cópia dele foi disponibilizada nas matérias que escrevi e, além disso, a fonte parlamentar e a natureza do projeto foram devidamente explicadas em toda oportunidade.
Na verdade, o que parece mesmo é que o senhor não queria que essa discussão pública fosse levantada, permitindo que o aumento passasse sem as devidas considerações por parte da nossa sociedade. Posso estar enganado, mas esta é a impressão que o senhor dá. Espero, sinceramente, que o senhor não esteja pensando em ser secretário na próxima gestão. Penso que Ilário desejará fazer uma gestão técnica e, tenho quase certeza, o senhor não se encaixa como qualificado para comandar qualquer secretaria.
Foi, também, insinuado pelo senhor, que a cobertura deste assunto feita pelo Sistema Monólitos de Comunicação tem o objetivo de dificultar a vida do próximo prefeito. Somos, porém, da opinião de que, ganhando mais de R$ 14 mil por mês, dá para ele levar uma vida até razoável, compatível com o cargo e com a realidade por que passa o município. Talvez o senhor não saiba, mas há centenas de professores em nosso município que, trabalhando feito bichos de carga, recebem muito menos que isto e, mesmo assim, não padecem deste estado mental de mi mi mi que o senhor exibiu com um argumento fajuto como este.
Não só o senhor, mas alguns de seus pares, apoderaram-se do discurso de que o trabalho de imprensa, feito sobre este caso do projeto, não passa de “revanchismo” pós-derrota eleitoral. Qual é a sugestão de vocês? Que eu me cale porque os resultados nas urnas não foram exatamente como desejei? Era só o que faltava! Tenho com Ilário Marques e com alguns de seus assessores mais próximos um relacionamento que considero respeitoso e até amigável. Pelo menos nas últimas vezes em que falei com o prefeito eleito, fui muito bem tratado e o tratei bem. Meu sincero desejo é que ele faça, ao lado de seus aliados, a melhor gestão possível em prol da nossa gente. Quem está incluindo o resultado das urnas neste debate – como artifício para desviar a atenção dos fatos que importam nele, que é o projeto em si -, são vocês, não eu.
É feio esta cena que os senhores promoveram na câmara, nesta última sessão, de políticos defendendo políticos tentando sujar a imagem daqueles que desejam que as pessoas saibam o que os políticos estão fazendo. Entenderam a lógica? Se vocês não estão fazendo nada de imoral, por que o incômodo com a exposição do que fazem? Da próxima vez, não me dediquem uma sessão quase inteira, mas falem sobre o próprio projeto, suas características, vantagens, desvantagens, viabilidade ou inviabilidade. Tenho certeza que será um momento mais bonito.
Finalmente, vereador Duda, queira entender que esta não é uma questão que levo para o lado pessoal. Acho completamente inapropriado, embora legal, que esta atualização no salário do prefeito seja feita neste momento de intensa crise financeira. Essa minha opinião não mudaria caso o resultado das urnas tivesse sido diferente. É simplesmente imoral dar mais dinheiro ao prefeito, ao vice e aos secretários nas circunstâncias em que o município se encontra. Mas cada vereador está livre para votar como quiser. Só não podem é querer que a gente concorde, caladinhos e de cabeças baixas, com tudo o que decidirem. Aqui não é Cuba.
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Parabens pelas sabias palavras, acredito sim no certo so nao dou credibilidade a monolitopost pois adora denegri a imagem das pessoas sem orova eu mesma ja fui vitima so nao vou dizer como porque estou na justiça.
Mais vc e show procure uma emissora melhor e de respeito que vc cresce
Ótimas reflexões e notícias pela a qual mostra a verdade para o povo quixadeense e desmasca cada vez mais esses políticos corruptos, compostas de vereadores sem compromisso e que cada dia deixa nosso quixadà falido, mas só o povo e pessoas cultas podem derrubar esses vermes. E fazer nossa cidade linda, limpa e produtiva, com energia eólica, solar e indústria.
Parabéns pela cobertura dos fatos e por nos deixar informados sobre essa intenção maliciosa e descabida dessa câmara municipal.
A verdade tem que ser divulgada,aliás não divulgar é típico de DITADURA
Parabéns a imprensa de um modo geral, mas, principalmente ESSE porque é único que divulga os fatos como realmente acontece, é também o único que dá espaço o eleitor para comentar.