Classe cultural de Quixadá deveria inspirar com atitude de autodefesa, não baixar a cabeça em submissão

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Não pode ser prenúncio de coisa boa quando a alma do município, isto é, os agentes da cultura, amorna deste jeito.

Quixadá é celeiro de grandes artistas, produtores, cantores, e outras pessoas com dons que encantam e que dão forma e identidade à cultura do município. Vários deles tem praticamente uma vida inteira dedicada a esta área que é, sem dúvidas, de enorme relevância. Há quem, dentro deste seleto grupo, conheça os problemas que afetam o setor como a palma da própria mão.

Na campanha eleitoral deste ano, toda essa gente foi convidada para debater o futuro da cultura quixadaense. Opinaram, sentiram-se prestigiadas, alvos de um interesse especial pelo cuidado e pelo zelo da área que, segundo foi sinalizado pelos candidatos, seria símbolo de trato democrático e de respeito por aqueles que vivenciam as demandas da própria cultura.

Passado o período eleitoral, porém, tudo o que sobrou para estas esperançosas pessoas foi a imposição da força da caneta do novo gestor. Ilário Marques não titubeou e apontou, para o espanto de tantos, um vereador – Audênio Moraes -, que nunca teve envolvimento com a cultura, para representar os interesses da classe. Não apenas isto, mas também adotou uma prática há tempos repudiada pelos artistas locais e decretou a junção da pasta da cultura com a de esporte e lazer. Um golpe nas expectativas de quem imaginou qualquer coisa diferente disto.

Pois bem. A indicação de Audênio Moraes prossegue causando desconforto aos homens e mulheres ligados à cultura de Quixadá. Até houve uma reunião entre uma parte deles e o prefeito eleito para falar sobre o assunto, mas pelos comentários que circulam nas redes sociais, a reunião foi marcada, não pela abertura ao diálogo e pela disposição para fazer diferente e melhor, mas pela confirmação seca de que o vereador deverá mesmo chefiar uma pasta com a qual os agentes da cultura podem apenas sonhar.

Vale observar que não é porque alguém é um bom artista, músico, produtor, ator ou dançarino, que é necessariamente capacitado para gerenciar a pasta da cultura de um município como Quixadá. A questão, no entanto, é que há sim entre os do cenário cultural local pessoas capazes de fazê-lo. Mesmo assim foram preteridos em favor de um vereador.

Quanto a esta questão, vários prefeitos eleitos adotaram caminhos diferentes deste. Em Juazeiro do Norte, o futuro gestor da pasta da cultura será Alemberg Quindins. Dentre outras referências, criou a Fundação Casa Grande, de Nova Olinda, o que já diz bastante sobre o perfil do sujeito. Em Pacajus, o futuro gestor da pasta de cultura será Sidney Malveira, diretor, ator e gestor cultural. Em Aquiraz quem vai cuidar dos interesses da cultura será William Mendonça, gestor cultural, ator e produtor, premiado nacionalmente.

Em Quixadá será Audênio Moraes, futuro ex-vereador.

Mas a classe cultural Quixadaense, apesar de tudo isto, está silenciosa, numa atitude que pode ser descrita como de submissão. Aqui e acolá aparece algum resmungo numa rede social e não passa disto. É como se alguém com super-poderes houvesse, de uma hora para outra, retirado deste seleto grupo toda a garra, espírito de luta, de resistência e de autodefesa, características que tanto o identificam e que tanto inspiram o resto da sociedade.

Não pode ser prenúncio de coisa boa quando a alma do município, isto é, os agentes da cultura, amorna deste jeito.

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