Professores e profissionais da saúde da Prefeitura de Quixadá ainda não receberam o 13º salário. O pagamento é aguardado pelas categorias, mas a Prefeitura ainda não teria repassado os valores para as contas dos servidores, descumprindo uma medida imposta pela Lei. Para quem está a mercê do atraso, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindsep) estaria adotando uma postura muito branda, deixando de atender aos interesses dos trabalhadores prejudicados.
O pagamento do 13º salário é uma garantia prevista por lei, desde 1962. Conforme a resolução 4.090/62 o pagamento deve ser feito até o dia 20 de dezembro. Mas até a manhã desta segunda-feira (21), o dinheiro ainda não tinha sido caído nas contas de quem presta serviços para a prefeitura de Quixadá.
No final de sua gestão, Ilário Marques estaria acumulando problemas financeiros. O Monólitos Post informou na semana passada, que o gestor foi citado após uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em não ter garantido o repasse de valores correspondentes a diversos fundos de finanças públicas, entre eles até mesmo os valores relativos a empréstimos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
A diretora do Sindesp, Neiva Esteves, teria comentado em áudio em um grupo com servidores sindicalizados, que era necessário esperar. “Não tem nem como a gente fazer uma greve se o recursos não entrou, temos que aguardar mesmo”, disse Neiva. Até sexta-feira última (18), a diretoria do Sindesp tinha a informação que um recurso de R$ 7 milhões do Fundeb ainda não tinha entrado nas contas da prefeitura.
A delicada situação financeira da Prefeitura de Quixadá, pode ser percebida através das conversas de Neiva Esteves com os servidores no grupo, criado em um aplicativo de conversas instantâneas. Em pelo menos três áudios que o Monólitos Post teve acesso, Neiva explora a realidade da secretaria de finanças. “Falei agora com a secretária de finanças, ela disse que ainda não tem o recurso suficiente para pagar a educação. Precisa ainda completar. O que ela tem de dinheiro agora é R$ 1,3 mil e a folha do décimo é mais do que isso e ela disse que vai aguardar o recurso do ICMS para juntar e pagar”, relata.
Adiante, a servidora parece querer explicar a situação para a classe. “Eu perguntei com relação a questão da multa. Como o município não tem como (sic), esse dinheiro é específico, não tem como tirar de outro canto, não tem de onde tirar, o que eles vão fazer: vão justificar que não tem o recurso. (…) Então é aguardar até a próxima semana”. O Monólitos Post tentou ouvir Neiva Esteves, mas as ligações davam caixa de mensagem.
O que tem chamado atenção dos trabalhadores diante da incerteza de ter ou não o décimo terceiro até o fim do ano, é a postura amena do sindicato através de sua representantes. “Tão compreensível o sindicato, dizer que não pode fazer greve…”, afirmou uma servidora ao Monólitos Post. Uma outra completou: “Claro, ainda é o Ilário que tá no poder, né? Devem tá esperando o Ricardo assumir”. Servidores de outras cidades pequenas, como Ocara, chegaram a fazer um comparativo explicitando o absurdo vivido pelos quixadaenses. “Eu sou de Ocara, é um município pequenininho e o décimo dos professores saiu dia 13. Isso é inadmissível! Uma prefeitura do porte de Quixadá não ter dinheiro para pagar os professores? É brincadeira”, afirmou.


