Um selo criado para reconhecer equipes que se destacam nas boas práticas de higienização das mãos tem se consolidado como uma estratégia de engajamento e fortalecimento da cultura de segurança do paciente no Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) em Quixeramobim. Batizada de “Toque Seguro”, a iniciativa utiliza uma proposta de reconhecimento para estimular a adesão contínua aos protocolos de prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde (Iras).
Criado pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) da unidade, o selo é entregue a cada três meses às equipes dos eixos clínico, intensivo e cirúrgico que atingem os melhores índices. Para a enfermeira coordenadora do SCIH do HRSC, Ana Amélia Farias, a estratégia transformou o protocolo em uma responsabilidade coletiva. “A prevenção de infecção começa, sem dúvida, pela higienização das mãos, e o profissional precisa entender o impacto desse hábito dentro do cuidado. Com a criação do Selo, nós temos equipes mais envolvidas, participativas e conscientes”, destaca.
Segundo a coordenadora, o selo funciona como uma ferramenta complementar dentro de uma política permanente de conscientização das equipes. Além da certificação, o tema é trabalhado diariamente por meio de treinamentos, reuniões, e faz parte dos treinamentos obrigatórios do trabalhador assim que ele é admitido.
Para monitorar os índices, o HRSC utiliza uma estratégia recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), baseada em observações feitas por profissionais da SCIH que chegam de surpresa aos setores para acompanhar se a higiene está ou não sendo feita. Observadores ocultos também monitoram a frequência do hábito.
Graças ao reforço do “Toque Seguro” o hospital já mantém há nove meses as taxas acima da meta institucional de 85% nas boas práticas de higienização das mãos. Para Ana Amélia, a iniciativa ajudou a fortalecer o envolvimento. “Hoje a gente observa uma cultura já estabelecida sobre o tema. Os profissionais entendem por que precisam fazer e qual o impacto disso na assistência”, afirma.
A higienização correta das mãos é considerada um hábito simples e rápido: não demora mais do que 20 segundos para ser seguida conforme o passo a passo estabelecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de ser considerada a principal medida para prevenção de infecções no ambiente hospitalar. No hospital, deve ser cumprida obrigatoriamente em cinco momentos: antes e depois do contato com o paciente; após áreas próximas ao paciente; antes da realização de procedimento asséptico; e após risco de exposição a fluidos corporais.
Agora a equipe quer ir além para garantir que novos membros participem dessa causa: os usuários. “A proposta é ampliar a conscientização sobre segurança assistencial e incentivar a participação dos acompanhantes e familiares no fortalecimento das práticas de cuidado seguro”, explica Ana Amélia.


