A superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Ceará promoveu, na última sexta-feira (26), em Quixadá, duas oficinas voltadas para a proteção de bens materiais e imateriais da cidade que compõe o Patrimônio Cultural Brasileiro. O objetivo da primeira foi definir critérios de preservação para serem adicionados ao plano de salvaguarda dos dois bens tombados da cidade, o Açude do Cedro e o Conjunto Paisagístico dos Serrotes; já a segunda visou a ações de proteção do Repente.
A oficina sobre as normas de preservação de Quixadá foi ministrada pela arquiteta do Iphan Rebeca Cavalcante, acompanhada da superintendente, Cristiane Buco, da coordenadora de Normas do Departamento de Patrimônio Material e de Fiscalização (Depam), Letícia Klug, e do também arquiteto Alexandre Jacó. Na ocasião, foram abordados o papel do Iphan e a necessidade de criar diretrizes de preservação e critérios de intervenção dos bens.
“As oficinas permitem uma comunicação mais próxima entre os entes que atuam no território e abrem espaço para diálogo. Claro que podem existir discordâncias, considerando que cada agente tem seus interesses e competências. Diante disso, o diálogo na oficina garante que cada um deles possa se manifestar acerca das propostas”, afirma Rebeca Cavalcante.
O Açude do Cedro, tombado em 1984 foi a primeira grande obra hidráulica moderna do continente sul-americano e uma das pioneiras do seu tipo e porte no mundo. Sua implantação, seu desenho e sua execução resultaram numa paisagem de beleza ímpar.
Já o Conjunto Paisagístico dos Serrotes é um monumento natural de formações geológicas em monólitos, tombado pelo Iphan em setembro de 2004.
Repente
O encontro sobre o Repente foi o quarto de uma ação denominada “Diálogos do Repente: Construindo a Salvaguarda no Ceará”, em parceria com a Casa de Saberes Cego Aderaldo, equipamento da Rede Pública de Espaços e Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult). Esses encontros têm como objetivo construir diálogo com detentores para a escuta de demandas, visando à proposição de ações de salvaguarda.
A oficina, ministrada pelo antropólogo do Iphan Carlos Vinicius Frota, fez parte da IV Semana Cego Aderaldo de Arte e Poesia. Ao integrar a programação do espaço cultural, o encontro reuniu poetas repentistas locais e fortaleceu a mobilização dos cantadores do Sertão Central.
Registrado pelo Iphan em 2021, o Repente consiste em uma apresentação, conhecida popularmente como cantoria, onde dois repentistas improvisam estrofes alternadas, construindo diálogos poéticos em tempo real. A partir de temas sugeridos pelo público ou provocados pelos próprios poetas, cada cantador é desafiado a criar versos inéditos, que encantam pela rapidez do raciocínio e pela riqueza de conteúdo. As cantorias ocorrem em espaços diversos como casas, feiras, praças públicas e grandes festivais, onde as pessoas se reúnem para ouvir e apreciar essa arte popular.


