O campus de Quixadá do Instituto Federal do Ceará (IFCE) participa, a partir desta quarta-feira (4), do XI Encontro Estadual dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABIs), realizado no campus Crato. A instituição está representada por nove estudantes, acompanhados pelos professores Danielle Rodrigues, Ana Cláudia Santos e Aterlane Martins. A delegação apresenta dez trabalhos que abordam desde o racismo ambiental e a presença de comunidades tradicionais no território até experiências pedagógicas voltadas à construção de uma educação antirracista.
Com o tema “Território Kariri: identidade, religiosidade e memória”, o encontro reúne estudantes, servidores, pesquisadores, representantes de povos e comunidades tradicionais e movimentos sociais. A programação propõe reflexões sobre identidades, ancestralidades, religiosidades e relações étnico-raciais, fortalecendo o diálogo entre os conhecimentos produzidos nas instituições de ensino e os saberes das comunidades.
A participação de Quixadá reflete o trabalho desenvolvido pelo NEABI do campus, que completa dez anos de atuação. Ao longo dessa trajetória, o núcleo tem promovido atividades de formação, pesquisa e valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas, contribuindo para que o enfrentamento ao racismo esteja presente não apenas nos debates acadêmicos, mas também nas práticas educativas da instituição.
Pesquisas e experiências apresentadas
Entre os trabalhos apresentados estão duas pesquisas relacionadas às desigualdades raciais e às questões ambientais. Caroline Loureiro, Ana Cláudia Santos e Wesley Oliveira assinam o estudo sobre a dimensão racial da vulnerabilidade social à desertificação nos municípios de Banabuiú, Quixadá e Quixeramobim. Já Keven Iarlei Lima Ferreira, Francisco Haulivan Ferreira Silva e Daniel Alves Braúna Filho apresentam uma revisão bibliográfica sobre racismo ambiental e comunidades pesqueiras artesanais no Nordeste brasileiro.
A relação entre racismo e tecnologia é abordada na pesquisa “Embranquecimento e distorção de fenótipos raciais nos algoritmos de IA”, de Ana Cláudia dos Santos Silva e Wesley da Silva Oliveira.
Na área da educação, Ana Cláudia Santos, Caroline Loureiro, Fernanda Paixão e Wesley Oliveira apresentam o trabalho “Indígena não é fantasia: apropriação cultural e conscientização no Ensino Médio a partir de uma experiência do NEABI campus Quixadá”. A pesquisa relata uma atividade de conscientização sobre apropriação cultural desenvolvida no contexto escolar.
Outra experiência pedagógica é apresentada por Francisco Haulivan Ferreira Silva e Maria Clara Costa Nobre, sob orientação da professora Danielle Rodrigues da Silva Matos. O trabalho aborda uma disciplina eletiva sobre Memória e Cultura Afro-Brasileira e Indígena e sua contribuição para a educação das relações étnico-raciais no Ensino Médio.
A formação de professores é tema do estudo “Formação de professores e educação das relações étnico-raciais: as leituras do NEABI Quixadá como prática formativa”, de Francisco Cesar Moura Barbosa, Janison Sousa Ferreira e Maria Michelly do Regô Ribeiro, com participação da professora Gleiciane.
Também na área de práticas educativas, Francisco Haulivan Ferreira Silva, Tatiane Vieira Barros e Erilane Gomes da Costa, sob orientação de Danielle Rodrigues da Silva Matos, apresentam “Entre nós, saberes e experiências: vivências de um monitor no projeto Nós por Nós”.
Religiosidade, território e memória
A pesquisa “Juventude e território religioso: percepções de mães e pais de santo sobre a presença de jovens nos terreiros de Umbanda em Quixadá – CE” é apresentada por Ana Clara Souza Silva e Rúben José de Asevêdo, sob orientação do professor Raimundo Aterlane Pereira Martins.
Rúben José também assina, com orientação de Aterlane Martins, o trabalho “O espaço pensado e produzido por pessoas negras e para pessoas negras: do conceito de Pequena África de Heitor dos Prazeres ao conceito de Aquilombamento de Beatriz Nascimento”.
Os dez anos de atuação do núcleo são abordados no trabalho “Memórias que aquilombam: 10 anos de história, afetos e lutas no NEABI Quixadá”, de Danielle Rodrigues da Silva Matos, Francisco Haulivan Ferreira Silva e Raimundo Aterlane Pereira Martins. A produção reúne aspectos da trajetória do NEABI e das atividades desenvolvidas no campus durante esse período.
A coordenadora do NEABI Quixadá, Danielle Rodrigues, destaca a importância do encontro para compartilhar as experiências desenvolvidas pelo núcleo. “É uma oportunidade de apresentar à comunidade acadêmica os resultados das ações de ensino, pesquisa e extensão, construídas com o protagonismo de estudantes, servidores e da comunidade externa. Os trabalhos apresentados refletem nosso compromisso com a produção de conhecimento, a valorização das identidades afro-brasileiras e indígenas e o fortalecimento de uma educação antirracista. Essa participação expressiva também demonstra a consolidação do NEABI como espaço de formação, diálogo, resistência e construção coletiva”, afirma.


