Em 1921, trabalhadores urbanos (alfaiates, sapateiros, ferreiros, mecânicos, professores, pequenos comerciantes, etc.) se reuniram em uma associação de “resistência e benefício”, a Aliança Artística e Proletária de Quixadá.
Além da ajuda financeira mútua para socorrer os doentes, desempregados e as famílias desamparadas, os associados fundaram uma escola noturna para atender aos próprios trabalhadores e seus filhos.
Entendiam que a educação ajudaria na efetivação dos direitos sem ofender a ordem pública, outro objetivo da aliança. Liderada em Quixadá pelo Pe. Luis Braga Rocha, a legião tinha o objetivo de afastar os trabalhadores da influência de ideias contrárias à igreja.
A fundação da Aliança Artística e Proletária de Quixadá nasceu do idealismo de um grupo de artistas que sentiu a desorganização e abandono em que se encontravam os operários, vítimas de uma sociedade cheia de preconceitos e discriminação social.
No domingo de 19 de junho de 1921, às 13 horas, num prédio da Rua do Comércio, hoje ocupado pelas instalações da Telemar, na esquina das atuais ruas Laert Pinheiro e Tabelião Enéas, onde funcionava a sapataria do Sr. José Carlos da Silva, realizou-se a sessão de fundação da Aliança. (veja foto ao lado)
Ficou estabelecido que seriam considerados sócios fundadores todos os que se associassem até a sessão de 03 de julho de 1921. Após aquela data, qualquer sócio teria que pagar $10000 (dez mil réis), sendo $5000 de jóia, $2000 do diploma e duas mensalidades de $1500 cada.
A Aliança reunia trabalhadores de vários ofícios: Jacinto de Sousa, os alfaiates Emydgio Cabral e José Moreira Facundo, o barbeiro Acelino Cabral, o artesão de couro José Carlos da Silva, o sapateiro Manoel Rodrigues, o pedreiro Vicente Ferreira, entre outros.A antiga sede do grupo, que foi substituída na década de 1960, pode ser vista numa pintura de Waldizar Viana. Seu lema era “Coragem, Amor e Trabalho”.
O monumento aos trabalhadores, na Praça da Estação, tem ligação direta com a Aliança Artística e Proletária.
A associação sobreviveu até a década de 1960. O prédio não existe mais.
O livro “Retalhos da História de Quixadá”, escrito por João Eudes Costa, contém preciosas informações sobre a história de Quixadá, inclusive sobre a Aliança. Sem dúvida, João Eudes escreveu um livro de leitura obrigatória a todos os quixadaenses.
FONTE: Ângela Borges e “Retalhos de Quixadá -Blog”.




O Alfaiate José Moreira Facundo é meu bisavô.