Casos de Febre Oropouche crescem e chegam a cinco no Ceará, todos eles no Maciço de Baturité

- por
  • Compartilhe:

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) está intensificando ações voltadas à prevenção e à vigilância epidemiológica da febre oropouche, arbovirose transmitida principalmente por mosquitos.

Até o momento, o Ceará confirmou cinco casos da doença nos municípios de Palmácia, Redenção, Pacoti e Mulungu, localizados no Maciço de Baturité, região serrana propícia à circulação do mosquito Culicoides paraenses, um dos vetores da febre. Com o objetivo de aprofundar a investigação dos fatores relacionados à transmissão, a Saúde do Ceará enviou equipes aos municípios onde há pessoas diagnosticadas com a oropouche. Em todos os casos, foram observados sintomas leves, sem agravamento do quadro clínico.

Os profissionais da Sesa estão trabalhando em campo para averiguar possíveis focos de proliferação do mosquito, capturar vetores, monitorar casos suspeitos e capacitar as secretarias municipais de saúde para o enfrentamento à febre. Além disso, a Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica e Prevenção em Saúde (Covep) da Sesa promoveu, na última quarta-feira (26) um curso voltado à atualização sobre arboviroses na Área Descentralizada de Saúde Baturité, que compreende os municípios de Baturité, Pacoti, Guaramiranga, Mulungu, Aracoiaba, Aratuba, Capistrano e Itapiúna.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 6,7 mil casos da febre oropouche, de janeiro a junho deste ano, em 16 estados do país. A maioria dos registros se concentra em Rondônia e no Amazonas, onde a incidência da doença é recorrente. De acordo com o secretário executivo de Vigilância em Saúde da Sesa, Antonio Silva Lima Neto (Tanta), a detecção da febre oropouche no Ceará pode estar associada à maior circulação do vírus no país e a fatores ambientais.

“Ocorreu com essa doença algo parecido com o que houve com a dengue, que, por conta de fatores ambientais e climáticos, foi registrada em lugares que antes, historicamente, não apresentavam transmissão da doença. A febre oropouche estava estabelecida há décadas na Região Amazônica e, desde 2023, passou a ser encontrada em regiões do país que não registravam casos”, disse o gestor.

Entenda a doença

oropouche apresenta sintomas como febre, náusea, diarreia e dores de cabeça, musculares e nas articulações. O quadro clínico se assemelha à dengue e à chikungunya. Por isso, em caso de suspeita, a população deve procurar atendimento médico. A Sesa orienta que os profissionais de Saúde solicitem o exame RT-PCR ainda nos primeiros cinco dias de sintomas dos pacientes, quando há maior carga viral.

Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), referência em diagnóstico laboratorial e controle epidemiológico, é a unidade responsável no estado pela análise das amostras provenientes de unidades públicas e privadas. Segundo o diretor da instituição, Ítalo Cavalcante, a detecção da febre oropouche é feita por meio da investigação da carga genética do vírus. “O teste, que utiliza biologia molecular e busca o material genético do vírus no sangue da pessoa com a suspeita da infecção”, explica.

Transmissão

O mosquito Culicoides paraenses, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, é considerado o principal transmissor do vírus da febre oropouche em áreas rurais e urbanas. Há, ainda, o Culex quinquefasciatus, inseto comumente encontrado em ambientes urbanos que também pode transmitir a doença. Depois de picar o ser humano ou animal infectado, o mosquito permanece com o vírus no sangue por alguns dias e pode transmiti-lo por meio da picada a uma pessoa saudável.

febre oropouche circula desde a década 1960 no Brasil, com casos mais numerosos em regiões silvestres e de transição, entre as zonas urbana e rural. No entanto, nos últimos três anos, a doença migrou para regiões urbanas. “O maior número de casos foi registrado inicialmente no Acre e no Amapá, entre outros estados da Região Norte. Depois, foram registrados casos no Rio de Janeiro e na Bahia. Apesar de o mosquito maruim estar mais presente nas regiões silvestres e de transição, há a possibilidade de que outros mosquitos tenham adquirido a competência de transmitir a doença”, diz o secretário.

Como prevenir

Diferente do Aedes aegypti, que circula sobretudo em áreas residenciais, o maruim se desenvolve em locais silvestres e rurais com acúmulo de matéria orgânica. “O mosquito vive em locais como galinheiros e outros em que aconteça a criação de animais, próximo de árvores apodrecidas e estrume”, explica Tanta.

Como medidas de prevenção, a população pode usar roupas que cubram a maior parte do corpo e aplicar repelente em áreas expostas da pele. Medidas ambientais, como manter a casa limpa, removendo possíveis criadouros de mosquitos, como água parada e folhas acumuladas também são fundamentais. Moradores de municípios com casos confirmados devem seguir as orientações das autoridades de saúde locais para reduzir o risco de transmissão.




Deixe seu comentário

Os comentários do site Monólitos Post tem como objetivo promover o debate acerca dos assuntos tratados em cada reportagem.
O conteúdo de cada comentário é de única e exclusiva responsabilidade civil e penal do cadastrado.